Weberson Fernandes Grizoste[1]
UNIVERSIDADE DE
COIMBRA
Adeus, ex-amor. Se esperas lágrimas de meus olhos
Esquece! Um Martini seco é mais sedutor que uma tristeza
vã.
Carlos Brunno
«O sentimento da unidade latino-americana é o limiar de
um novo tempo. O esforço da organização para eliminar a opressão dos poderosos
e construir um destino maior e mais justo é o compromisso solene de todos nós».
Esta frase de Orestes Quércia, ex-governador do Estado de São Paulo, está
escrita no pedestal de uma das esculturas mais conhecidas do Brasil: a Mão,
escultura de Oscar Niemeyer, em cuja palma vemos a América Latina; feita em
concreto aparente, com baixo-relevo com pintura em esmalte sintético, possui
sete metros de altura. Este monumento, localizado na Praça Cívica, no bairro
Barra Funda, na cidade de São Paulo, é parte integrante do projeto cultural
desenvolvido pelo antropólogo Darcy Ribeiro. Quem chega pela entrada do metrô,
no portão 1, no Memorial da América Latina, encontra com esta magnífica obra.
A obra de Carlos Brunno S. Barbosa, feita por Felipe
Bernardes Avila Duboc, possui uma mão que emerge como de um lago, o sentido de
socorro aparece inclusive no título da obra: O último adeus aparece grafado em letra chiller, inclusive o
subtítulo entre parênteses (ou o primeiro
pra sempre). Posteriormente o poeta divide os poemas em seis estações de
embarque distribuídas pela Linha Saudade, recordando uma linha férrea[2]. Nesta Linha da Saudade
faremos uma paragem na Estação Mundo, ou Nossa Estação. Esta estação, como
todas as outras, é uma espécie de calátide: comparemos as poesias como flores e
o poeta como um jardineiro; ele cultiva-as e depois reúne-as num receptáculo
comum. A Estação Mundo possui, além de um poema-prosa introdutório intitulado
de A Agulha e a História, quinze
poemas. São poemas que refletem a condição do homem americano, nomeadamente o
brasileiro.
No poema-prosa introdutório Carlos Brunno reúne Napoleão,
Tiradentes, Hitler e Getúlio Vargas, e entre eles, um cidadão desconhecido
sentindo-se pequeno e solitário como uma agulha no palheiro. São os loucos,
mártires, ditadores, sonhadores e sucessos da média que aparecem nos livros de
história. Parecem deuses entre os imortais, diz o poeta. Não à toa que em Roma
e no Egito antigo, bem como em outras civilizações primitivas, os governantes
eram tidos como deuses, semideuses e filho dos deuses. As personalidades
citadas pelo poeta Carlos Brunno, assim como os imperadores-deuses da Roma
Antiga, como um César, foram vítimas de suas convicções políticas: Napoleão
desterrado, Tiradentes enforcado, Hitler e Getúlio suicidaram-se quando a
manutenção do poder se tornou insustentável. Nesse universo de vítimas
políticas surge a agulha no palheiro, um objeto que busca ser homem, ter um
nome, ter um rosto, uma alma, uma novidade para os seus olhos cansados de
impérios, forcas, preconceitos e suicídios induzidos. Este homem solitário que
não se encontra socialmente, apesar de que mais do que nunca o mundo se
encontra superpovoado. O poeta escreve como quem ignora que sendo o Brasil um
país imenso e despovoado, a quantidade de brasileiros só perde para quatro
outras nações; ou seja, o Brasil é grande e despovoado, mas os brasileiros são
muitos. Mesmo assim o brasileiro é solitário. Essa solidão é desencadeada pela
falta da identidade que o brasileiro sente em face dos outros povos.
Esse paradoxo identitário não é novo, suas raízes
surgiram no romantismo durante a era de ascensão dos bacharéis mulatos, mas
esse conflito já estava impregnado na sociedade. Euclydes da
Cunha refletindo a formação do povo brasileiro concluiu que a mistura de raças é mui diversas e na
maioria das vezes prejudicial, porque ante as conclusões do evolucionismo,
ainda quando reaja sobre o produto o influxo da raça superior, despontam
gravíssimos estigmas da inferior. A mestiçagem extremada é um retrocesso. O
indo-europeu, o negro e o brasilio-guarani ou o tapuia, exprimem estádios
evolutivos que se fronteiam, e o cruzamento, sobre obliterar as qualidades
preeminentes do primeiro é um estimulante à revivênscia dos atributos
primitivos dos últimos[3].
O
mestiço, mulato, mameluco ou cafuzo, menos que um intermediário, é um decaído,
sem energia física dos ascendentes selvagens, sem a atitude intelectual dos
ancestrais superiores[4].
Nessa luta sem tréguas o mestiço é um intruso, não lutou, não é uma integração
de esforços, é alguma coisa de dispersivo e dissolvente. Surge de repente sem
caracteres próprios, oscilando entre influxos opostos de legados dicordes[5].
Eis o porque do conflito desse homem brasileiro. Diante dos cartéis dos livros
de história o brasileiro não consegue se encontrar e por isso está a procura de
ser um homem; de ter um nome, um gentílico respeitável diante das outras nações
do mundo; e como parte desse nome está a gana de ter um rosto que o
identifique, porque a pluralidade de raças no Brasil privou-o de uma raça que o
identifique como a maioria das nações do mundo. A procura dessa alma
brasileira, porque o homem só pode sentir-se como homem quando tem consciência
de sua alma; ao passo que o brasileiro está sempre a procura dos seus
antepassados mormente oriundos de outras partes do mundo. Não é de hoje que o
Brasil tem sido identificado como a Judeia, aqui convivem pacificamente um povo
ordeiro: americanos, africanos, europeus e por último os asiáticos; lutam entre
si na formação identitária que consiste basicamente em incutir na Estação Mundo
um homem, o brasileiro de fato.
Contudo,
a noção do político homem-deus assume uma dimensão animalesca num outro poema, Partido partido. Neste poema, Carlos
Brunno renova um ditado popular segundo o qual “muda a coleira, mas o cachorro
é o mesmo”; as feições desse poema remetem a um estado de degradação muito
superior ao desta frase supracitada: aqui o político é comparado ao porco e os
partidos comparados aos chiqueiros:
O único adeus
que nada modifica
é troca de
partido
de político
turista
Muda-se o
chiqueiro
Mas o porco é o
mesmo
A
evocação do chiqueiro traz consigo a imagem da podridão deste ambiente; porque
o porco é capaz de lavar-se na água e em seguida mergulhar na lama. A carne do
porco pode ser saborosa, mas ela é potencialmente um transmissor de doenças,
tanto que no Antigo Testamento os Judeus foram proibidos de comerem da sua
carne[6].
O político comparado ao porco evoca a religião da nação, para lembrá-la que no
passado esse animal foi proibido. Há um lamento implícito por parte do poeta,
porque não é qualquer político que é comparado ao porco, mas o político
turista; uma crítica a infidelidade partidária e ideológica pela maior parte
dos políticos. Muitos anos antes Gonçalves Dias em sua Meditação dizia que a política brasileira era mesquinha e
vergonhosa e não era feita de ideias, porém de coisas[7].
O texto de Gonçalves Dias é de 1846 e de lá até 2004 não houve grandes
progressos, tanto que Carlos Brunno detecta o mesmo grau de deterioramento. A
recordação de um chiqueiro remete para a crítica feita por Gonçalves Dias: o
Brasil tinha sido feito retretes de Portugal[8].
Sentina e chiqueiro tem os mesmos significados e a correlação lembra-nos que
numa casa o menor cômodo é o retrete; que por sua vez recorda-nos que o menor
território é o Distrito Federal, onde situa-se os políticos mais poderosos da
nação. A crítica de Carlos Brunno é que este adeus partidário nada modifica,
porque em verdade os políticos não legislam em favor de ideias, mas de causas
individuais, como dizia Gonçalves Dias.
Junto
com essa crítica, num outro poema intitulado de Não cantamos mais rock’n roll, Carlos Brunno recorda que há muito
tempo não cantamos mais rock’n roll e que há muito tempo o último grito de
revolta foi ouvido, sendo posteriormente mastigado pelo silêncio dos nossos
vícios. A Era do rock’n roll ficou conhecida pela libertinagem dos amantes
desse estilo musical, por isso o poeta recorda a juventude perdida na dose
excessiva da mesma bebida. Esses jovens causaram uma revolução no pensamento
Ocidental e deixaram um legado visível nos dias atuais. Hoje parte das nossas
reivindicações contrariam as religiões milenares e inclusive as reformadas que
surgiram em parte da discrepância de ideias com este antigo clã. Mas, o fato de
os brasileiros terem esquecido o ganho que aqueles jovens iniciaram nos Estados
Unidos na década de 40 do século passado, faz com que o poeta lamente que há
muito tempo apenas pensamos e que lá se foi a última gota daquela bebida: a
bebida da vida, do sexo, das drogas e do rock’n roll. Não que o brasileiro, esse
homem alegre, festivo e sorridente tenha deixado de festejar e esse caráter é
evocado no poema anterior ao supracitado; mas porque o brasileiro, apaixonado
pelas festas, esqueceu-se de reivindicar como o amante de rock’n roll. É
possível que transformemos a sociedade através do Carnaval, assim como os
metaleiros revolucionaram, ou no mínimo se impuseram diante do pensamento
conservador Ocidental. O poema de Carlos Brunno, Depois do carnaval (Pra não dizer que não falei de paixão nacional)
é obviamente uma evocação de uma música de Geraldo Vandré: Pra não dizer que não falei de flores. A melodia de Vandré,
apresentada no Festival Internacional da Canção de 1868 ficou em segundo lugar
na competição e foi proibida durante anos, pela ditadura militar brasileira sob
a alegação de que havia ofensa à instituição nos versos:
Há soldados
armados, amados ou não
Quase todos
perdidos de armas na mão
Nos quartéis
lhes ensinam uma antiga lição
De morrer pela
pátria e viver sem razão.
Essa
canção tornou-se a música dos revolucionários que pediram o fim da ditadura no
Brasil. O seu sucesso incitou o povo à resistência e por isso Carlos Brunno
evoca-a no seu poema, dessa vez para criticar os brasileiros, cujos corações
pulavam tanto durante o carnaval para depois hibernarem no restante do ano,
induzidos pelo clorifórmio. Depois do carnaval, o verde amarelado da camisa do
folião embriagado descansava ao sol ao invés de ser estampada diante das
autoridades com a mesma garra que se entregavam à paixão nacional; a ressaca pairava
nos óculos da mulata pálida e nos pedidos dos clientes emergentes nas farmácias
de plantão, uma clarividente referência a pílula do dia seguinte. Depois do
carnaval o folião se virava para o futebol e o poeta desiludido diz:
Teus olhos me chutam
Como uma bola
pra fora depois do escanteio.
Caem os últimos
confetes sobre meu peito
como um anúncio
silencioso de adeus – falta amor
depois do
carnaval.
Essa
desilusão também é encontrada em Meditação,
lá Gonçalves Dias queixava-se do povo que folgava e ria-se no dia de sua
própria vileza. O povo ria-se e folgava como o escravo quando o Senhor, cansado
de o futigar com varas, por um momento lhe tirava de diante dos olhos o
ergásculo da sua ignomínia[9].
José Lins do Rego em Eurídice também
recuperava esse tipo degradante, lá o velho e boêmio Faria interessava-se por
muito pouca coisa, bastava que o Flamengo ganhasse e já estava satisfeito. Não
são raros os casos de poetas e escritores que criticam a ineficácia da
sociedade em face da entrega aos vícios. Há uma diferença cabal do amante de
carnaval com os amantes do rock’n roll, porque como recorda o poeta:
E só depois do
tiro de meta percebo
Que aquele trapo
humano dormindo na calçada
Não é um
integrante do bloco de sujos
E sim um mendigo
de verdade
Cuja realidade
não muda depois do carnaval.
Esse é o retrato de todas as maiores cidades do Brasil.
Basta irmos aos pontos mais frequentados que encontramos uma horda de mendigos
de todas as faixas etárias. Fui criado bem longe dessa realidade social.
Acostumado às pequenas cidades de Mato Grosso, onde apenas quatro ultrapassavam
a faixa dos cem mil habitantes, habituei-me a realidade de minicidades,
inferiores a cinquenta mil almas. Depois de meia década de estudos em Coimbra –
Portugal estive em 2011 no Rio de Janeiro para uma pesquisa na Biblioteca
Nacional, não houve dia que eu não voltasse da Biblioteca para o meu aposento
localizado a poucos metros do Rio-Sul que eu não visse uma horda de mendigos.
Diziam-me os amigos, os conhecedores da Cidade Maravilhosa, que eu estava
andando no melhor lugar dessa famosa urbe brasileira. Qualquer brasileiro que
der uma volta pelo mundo, pelos países onde a distribuição de renda é mais
igualitária, há-de repugnar e de sentir vergonha da nossa realidade. Quando
Gonçalves Dias voltou para o Brasil em 1845, sentiu-se tão comovido que escreveu
a sua reflexão em um texto chamado Meditação.
Esse estranhamento foi sentido por Sousândrade. Marília Librandi estudando o
poeta que viveu dividido sobre duas ilhas: Maranhão e Manhattan, convida-nos a
pensar o Brasil não como um estrangeiro pode vê-lo, mas como um nativo pode
estranhá-lo[10].
A realidade que o poeta sente ao refletir sobre sua nação é mais dolorida do
que o estranhamento que ele possa sentir em face das outras. Muitas vezes,
entretanto, é preciso que o poeta tenha de ir ao estrangeiro para conseguir ter
essa abordagem; mas a realidade do Brasil atual não exige que o poeta vá ao
estrangeiro, mas que conheça outras partes do país. Dessa forma o Brasil não é uma
Judeia com feições da Babilônia. Uma Babilônia do Novo Mundo onde os
escravizados são os filhos de antigos estrangeiros arrebatados e introduzidos à
força por outro povo estrangeiro, obrigando a população nativa a mesclarem-se
em quatro ambientes: uma minoritária adotadas para mandar; uma segunda mesclada
entre aquelas que foram escravizadas e aquelas que ficaram numa intermediária
que não eram nem senhores e nem escravos; uma terceira dizimada pelas guerras e
doenças; e uma quarta que fugiu para o interior da terra e mais tarde alcançada
pelo apetite da civilização Ocidental.
Na Judeia-Babilônia americana, o carnaval da esperança
passa e os problemas continuam, diz o poeta. Esse coração que hiberna depois do
carnaval é descrito num outro poema denominado A (re)volta dos mortos vivos:
Seus cérebros repousam enquanto assistem à tevê
O controle remoto que pensa, o canal que opina
Os mortos-vivos apenas ligam e desligam-se
Sem prazer, sem verdades
Sem vergonha, sem identidade
A
problemática da televisão brasileira é notória. A elite do país e a sociedade
pensadora critica com veemência à forma com que as notícias são dadas a
população. Noticiários insistem em colaborar com a construção de uma sociedade
assustada com a violência; vê-se cada vez mais bandidos serem entrevistados do
que profissionais que colaboram para uma sociedade melhor. Nomes de traficantes
e bandidos são tão conhecidos como o de estrelas da música. Diz-se muito mais
sobre os políticos (turistas) corruptos do que dos políticos honestos e que tem
contribuido nos bastidores com a sociedade. Não que estes problemas devam ser
ignorados, já que existem; entretando dar-lhes mais espaço relegando ao
esquecimento os homens anônimos que contribuem com uma sociedade melhor é uma
injustiça jornalística. Mas, já na Grécia antiga a civilização percebeu essa
propensão humana para a desgraça alheia e essa forma foi maximizada nos jogos
de circo da antiga Roma, onde a população assistia embriagada outros homens
serem entregues aos leões e as mais diversas sortes de animais selvagens e
torturas. No poema de Carlos Brunno há essa lembrança dos homens da Idade
Média, onde os vassalos viviam à inércia enquanto os patrões feudais inventavam
máquinas modernas. O que mudou de lá para cá? Quase nada. Hoje em dia, os
mortos-vivos revoltam-se com o final sem graça da novela, encerra Carlos
Brunno. Estas máquinas modernas buscavam exatamente o entretenimento dos homens
e o poeta comprova com a ignorância dos homens diante de uma coisa tão banal.
Essa
ilusão, essa hipnose humana também é traduzida no poema A alma de nossas faltas. É comum nas redes sociais vermos as
pessoas comemorarem a chegada do final de semana. Apossando-se dessa ideia, o
poeta Carlos Brunno elege três dias para o poema: o sábado, o domindo e a
segunda-feira. Em primeiro plano o sábado é o dia em que todos vão para as
ruas, para festejarem, porque a cidade não para; entretanto, o domingo é o dia
da ressaca. Na segunda-feira, a guerra adormece (numa referência ao poema Depois do carnaval), e o homem apossa-se
da falsa crença de enriquecimento e por isso a cidade trabalha. O poeta
denomina a alma de nossas faltas toda essa ineficácia humana: a entrega ao
divertimento, a ressaca e a entrega ao desejo vão de enriquecer-se enquanto que
a verdadeira alma é esquecida, aquela que pode ser vista em Não cantamos mais rock’n roll, contudo o
pessimismo do poeta surge quando ele percebe que aquela juventude perdida está
perdida para sempre. O sofrimento do poeta consciente do seu lugar na sociedade
transmite-se no poema Solidão moderna;
porque ao contrário dos homens hipnotizados pela modernidade, o poeta é um
homem louco. Louco porque não pode ser compreendido pela socidade que ele
compreendeu.
No
poema Solidão moderna, o poeta evoca
uma série de mortos-vivos e pode-se dizer que um poema seja parte do outro.
Quando a madrugada perece e o dia amanhece o sol queima a esperança da menina
vazia. Quem será? Naturalmente uma prostituta. Não é porque essa prostituta
seja uma pecadora como julga a cristandade, porque o poeta na sua boemia não
reconhece esse tipo de entrave religioso. Não há grandes diferenças entre os
poetas e as prostitutas. Ambos não são compreendidos pela sociedade, embora
essa julga tê-los compreendido; ambos são boêmios e possuem vícios censurados
pela sociedade; ambos possuem hábitos noturnos; ambos se dão intensamente e não
recebem nada em troca; é por isso que muitos dos poetas acabaram loucos e
suicidaram-se diante da realidade fria do mundo. Contudo, a diferença cabal
entre eles é que a prostituição ainda é um tabu, enquanto que o poeta moderno,
apesar do desprezo social pelo seu ofício, goza de um certo status bajulador.
Por isso, o poeta olha para a prostituta como quem olha para o espelho e traz a
triste notícia: o sol que nasce ao amanhecer queimou a esperança da menina
vazia. Librandi[11]
analisando Sousândrade procurava a relação entre a poesia e o dinheiro e
segundo ela: “na modernidade, se tornou moeda corrente, por assim dizer, a
oposição entre poesia e dinheiro, explorada como um dos principais, senão o
principal topos da literatura moderna.” Entretanto ela sugere que é preciso
repensar essa relação, como sendo não apenas pura oposição, como sugere a
própria poesia, mas com uma convergência paradoxal. A prostituta de Carlos
Brunno é uma mulher vazia, não é porque ela não tenha nada a oferecer à
sociedade, mas porque o que ela oferece não pode ser compreendido pelos homens.
A esperança do poeta se queima com o sol que surge porque ele não tem
esperanças no homem moderno, a esperança da prostituta se queima porque
novamente ela não foi compreendida e volta para casa com o sentido de vazio no
peito, quiçá o mesmo vazio que toma os poetas. Dessa forma, dinheiro e poesia
encontram-se, porque a boemia também não se faz sem dinheiro, senão que sem
isso cabe ao poeta mendigar; embora a mendigação seja uma forma de boemia.
Continuando
nesse universo da boemia noturna, o poeta lembra das crianças nas calçadas,
muitas vezes fugitivos do inferno de seus lares nos morros do Rio de Janeiro,
estas crianças são chamadas por ele de criança-calçada e dormem cobertos pelo
notícia-cobertor, numa clarividente referência aos jornais abandonados pela
sociedade que depois de lidos são usados como cobertores por estes indivíduos
que, apesar de se cobrirem de notícias, não podem sequer lê-los. Há uma
diferença entre a criança-calçada e o poeta e a prostituta, contudo se
assemelham uma vez que todos eles são impelidos para esse universo: o poeta
pelo destino e a prostituta e a criança-calçada pela sociedade. Nem sempre a
prostituta é fruto dessa exclusão social, porque em raras ocasiões elas são
impelidas para esse universo pelo próprio destino, tal qual o poeta; mas, no
caso supracitado pelo poeta Carlos Brunno, a prostituta é claramente uma mulher
pobre que usa da noite para ganhar o pão do dia. Nesse universo da boemia o
poeta depara-se com novas realidade social: o homem-estatística e o fila-desemprego.
Estes adjetivos são sustíveis de diversas interpretações, contudo de acordo com
a nossa leitura o homem-estatística é uma referência as vítimas da
criminalidade que colaboram para o aumento da estatística de crimes sociais; já
o fila-desemprego é uma referência aos serviços sociais que obrigam os cidadãos
a levantarem-se de madrugada: seja a procura de emprego, seja a procura de uma
vaga nos hospitais, para consulta médicas ou cestas básicas. O sol, diz o
poeta, nasce e queima os sonhos, faz-se noite no mundo dos sonhos e a solidão
brilha como uma estrela vadia.
A
solidão moderna reaparece em outros dois poemas: Contemplação e Carnaval do
terceiro milênio. No primeiro o poeta descreve a sensação do caos de luzes
no céu e as intermináveis promessas do povo para o ano novo, enquanto do outro
lado a lua guardava, exausta, os mistérios do futuro. Essa contemplação do
poeta refere-se a entrada no século vinte e um que coincidiu com a entrada no
terceiro milênio, celebrada no outro poema que lhe seguiu. A lua exausta é uma
recordação da desilusão do poeta que sabe que já na Idade Média os homens eram
ludibriados. A própria filosofia aristotélica reconhecia essa diferença entre
os homens: Aristóteles e Platão já descreviam que uns nasciam para mandar e
outros para obedecerem. Todos os filósofos posteriores reconheceriam essa mesma
ordenação. Nem mesmo os mais animosos socialistas-comunicas como Karl Marx,
Engels e Max Weber escondem que para a organização social era necessária a
figura de um lider, cujo status por si só encerra uma diferença em relação aos
demais. A temática da desigualdade social é tema do poema seguinte. Os
brasileiros são chamados de viúvos de Cabral de Melo Neto, numa referência ao
seu poema dramático: Morte e vida
Severina. Mortos e vivos, severinos e mamelucos, os brasileiros são frutos
da miscigenação do amor primitivo; mas as desigualdades surgem quando o poeta
diz que os brasileiros também são um quadro inacabado de Portinari e de Anita
Mafalti. As obras de Portinari retratavam questões sociais sem desagradar ao
governo e aproximou-se da arte moderna europeia sem perder a admiração do
público; já Anita Mafalti com suas pinturas deixava as pessoas desapontadas,
pela expressão dantesca da sua obra. Mas o pintor dessa obra é um anjo
malicioso que trocou a harpa e a auréola por um cavaquinho e um chapéu de
palha. Obviamente que se trata de uma referência aos portugueses que
abandonaram as comodidades da metrópole para se estabelecer na colônia, o
Brasil. Foi o português que impulsionou a criação dessa Babel americana, e
todas as diferenças, raciais, sociais e financeiras são frutos daquela árvore
mirrada que eles plantaram em 1500.
O
poema do Carnaval do terceiro milênio
evoca os contrastes dessa nação: no corpo da mulata rica em beleza e no “pivete
pobre de dar tristeza”, no atleta que sobe no pódio e no desempregado que cai
no anonimado das estatísticas. Este carnaval triste, que esconde os sonhos
lindos nas praias do Nordeste e Sudeste e os pesadelos no marasmo político de
Brasília, a retrete do país, evocada no poema Partido partido. Esse sofrimento traz a triste declaração do poeta,
convicto que “somos o país mais sorridente e também o mais carente”, o sonho de
um Brasil que no terceiro milênio deve buscar uma ordem mais justa e um
progresso mais ameno. Talvez os brasileiros sejam tão receptivos com os
estrangeiros porque no fundo sejam carentes e não porque têm muito amor para
distribuir. Darcy Ribeiro, comovido com o quadro social do país concluiu:
Todos nós
brasileiros, somos carne da carne daqueles pretos e índios supliciados. Todos
nós brasileiros somos, por igual, a mão possessa que os supliciou. A doçura
mais terna e a crueldade mais atroz aqui se conjugaram para fazer de nós a
gente mais sofrida que somos e a gente insensível e brutal, que também somos.
Descendentes de escravos e de senhores de escravos seremos sempre servos da
malignidade destilada e instalada em nós, tanto pelo sentimento de dor
intencionalmente produzida para doer mais, quanto pelo exercício de brutalidade
sobre homens, sobre mulheres, sobre crianças convertidas em pasto de nossa
fúria[12].
Essa
é a alma do brasileiro. Qualquer um que chega ao poder converte-se em um novo
porco do chiqueiro ao invés de tornar-se um defensor da sociedade onde emergiu.
Essa imagem remete-nos novamente a Geraldo Vandré, ele compôs na companhia de
Théo de Barros a canção Disparada.
Essa música venceu o Festival Internacional da Canção de 1966 dividindo o
primeiro lugar com A Banda de Chico
Buarque de Holanda. A referência:
Da boiada já fui
boi
Mas um dia me
montei
Não por um
motivo meu
Ou de quem
comigo houvesse
Que qualquer
querer tivesse
Porém por
necessidade
Do dono de uma
boiada
Cujo vaqueiro
morreu…
O
novo vaqueiro surge quando cavalga sobre si mesmo. A ascensão social desse
indivíduo acontece porque o dono da boiada precisa de um novo vaqueiro para
ocupar o espaço de outro que morreu. Assim a ascensão é uma farsa à medida que
o boiadeiro deixa de ser um boi. Esse novo vaqueiro trocará de chiqueiro sempre
que necessário, porque a política é feita de causas e não de ideias. Mas o
poeta tem uma esperança que remete para a bandeira nacional, a frase, ordem e progresso. Há muitas críticas
porque o autor da bandeira nacional, Raimundo Teixeira Mendes, excluiu a frase
completa de Augusto Comte. A frase do filósofo francês incluía o amor por
princípio para se ter a ordem e o progresso. Poucos anos antes, Gonçalves Dias
percebendo a corrente filosófica de seu tempo havia dito que a ordem e
progresso eram inseparáveis[13].
Carlos Brunno vê progresso, mas não vê ordem. Gonçalves Dias usara a frase
justamente para dizer que sem uma não se alcança a outra: “porque a ordem e
progresso são inseparáveis; – o que realizar uma obterá a outra”. Há uma
recepção por parte do poeta Carlos Brunno, embora possa ser que não tenha lido
o Meditação, mas a estética da
recepção, segundo Jauss[14],
não exige que o poeta leia o poeta diretamente, senão indiretamente.
O
estado da degradação social conduz o poeta ao poema dos Anjos sem asas. Nesse poema, o símile de um anjo sem asas é um
adolescente de treze anos, quando ele resolveu voar, isto é, adquirir
independência, saltou do décimo segundo andar – quiçá uma referência a sua
idade. O anjo sem asas foi socorrido por um amigo de olhos cor de mercúrio,
obviamente, uma referência do efeito causado pelo uso de narcóticos e
entorpecentes. Mas, como é comum nos casos de entrega ao vício, o anjo voa até
o céu para depois esborrachar na terra ao som de um canto gregoriano. Figura de
linguagem que denota o sentido da tristeza e da reflexão trazida por estas
músicas, cujo ofício conduz-nos no interior de nossas almas ao encontro de
Deus. Na pessoa desse adolescente o poeta vê uma multidão de anjos sem asas,
anjos fumando o cigarro proibido na espera da legalização, anjos entre o céu e
o inferno esperando absolvição. Para descrever o julgamento desses anjos sem
asas o poeta recorre aos Salmos:
“O que fizemos
de errado?”
perguntam
durante o Grande Julgamento
Não são anjos –
não sabem voar
Não são demônios
– são capazes de amar
Quem é Deus?
Quem é Diabo?
Nada é claro no
meio da fumaça
mas quem quem
disse que seria mais fácil
sem esta névoa?
Eis
a crua realidade social. O jovem entregue às drogas não tem grandes
perspectivas fora dela. Nasce numa sociedade viciada, anomálica e sem pundonor.
Por isso o poeta brasileiro quando vai ao estrangeiro volta estranhando a terra
e a sua gente. Somos o povo mais feliz? Também somos o mais carente. Assim como
Job procurava a causa do seu mal, estes anjos sem asas não sabem porque foram
relegados à sentina e tornaram a corja da sociedade. São Pharmakós, scapegoat, bodes expiatórios de uma sociedade injusta. E
dizia Frye que o Pharmakós não é
culpado nem inocente[15].
É inocente no senso de que o que lhes acontece é muito maior do que aquilo que
podiam provocar e são culpados porque são membros de uma sociedade culpada.
Assim como o bode que nascia numa categoria culpada e devia ser oferecido em
sacrifício para expiar a culpa do povo[16].
O que difere a violência no Brasil em relação a alguns países no mundo é que
aqui o homem que é remetido à corja social é descendente do escravo liberto,
cuja liberdade foi dada sob os estigmas da escravidão. Liberto e sem posse, sem
condições de regressarem à África, os africanos se viram obrigados a
continuarem no mesmo ofício, mas agora sem a responsabilidade do antigo senhor,
o ex-escravo se viu relegado às margens da sociedade e passou à uma condição
inferior a dos mestiços e indígenas. Ao cabo o poeta conclui:
Não podem ser
julgados
pois o proibido
é querido
o acessível é
corruptível
a certeza é
duvidosa
e o errado… o
que é errado?
De
fato, o pharmakós não era julgado em
um tribunal, no entanto era oferecido em sacrifício. Na terra dos Tristes
Carnavais uma malta de crianças e adultos mal crescidos são oferecidos em
sacrifício, como um Cristo que morre pelo pecado de muitos. Neste caso, os anjos
sem asas é que são oferecidos em sacrifícios, mortos pelos pecados de muitos:
os setes pecados capitais de uma sociedade criada no regaço do cristianismo,
que ensina o amor e pratica a indiferença… Assim, o que é errado? Porque a
sociedade criou este conjunto de regras para remeterem uma quantia desses
pobres miseráveis à condição de falhados? Quem falhou? Eles ou a sociedade que os
pariu? Carlos Brunno conclui perguntando:
Alcançar os
sonhos ultrapassando os limites da carne
ou ser julgado
por não obedecer um conjunto de regras do jogo
que nunca lhes
perguntaram se queriam participar?
Eis o Brasil, a anomalia social formada às custas do
sangue dos escravos africanos, da exploração e matança dos índios e da ganância
e usura do europeu. Mas olhemos para nós mesmos e perguntemo-nos: quem de nós
não terá nas veias o sangue estóico destes índios, o sangue passivo destes
africanos e o sangue vil deste europeu? Bem poucos são os brasileiros que
poderão se gabar de não possuírem tal origem. Mas olhemos agora para o conjunto
das nações nesta Estação Mundo: os alemães mataram muitos judeus e antes deles
os romanos os expulsaram da Judeia, os mesmos romanos que praticariam o
fascismo; os judeus voltaram para a Judeia e voltaram a matar os antigos
filisteus – ou haverá alguém de sã consciência intelectual que não verá uma
relação entre os palestinos de Gaza com esse povo inimigo citado na Bíblia? Os ingleses praticaram a
segregação; os Estados Unidos fundaram a Libéria na tentativa de conter o
aumento de negros em seu território; os chineses e indianos segregam e matam a
sua própria gente desde a antiguidade. Nessa Estação Mundo, no Norte e no Sul,
nações ditas brancas, privam a entrada de africanos e latino-americanos em seus
territórios para evitarem a miscigenação de seus povos. Anders Behring Breivik
citou o Brasil como o exemplo de uma anomalia social. No Brasil e no mundo as
pessoas esbravejaram contra o assassino norueguês. Mas o fato é que a
miscigenação nos conduziu a uma anomalia social e não podemos ignorar. Não que
a miscigenação seja culpada porque essa responsabilidade cabe ao racismo e a
diferença entre as raças que são milenares. Loucos como Breivik e Hitler são
frutos de menor escala de uma sociedade global que assistiu a morte de milhares
de Hutus diante da crença da superioridade Tútsi, essa crença subsidiara pelos
Belgas e pela igreja Católica, a igreja que no passado decretou uma diferença
entre os povos de cabelos corredios e cabelos encarapinhados[17] e mais tarde se retratou.
Essa Estação Mundo, onde também os índios brasileiros foram dizimados em
guerras justas; e na Austrália, onde a população nativa chegou quase a ser
exterminada. Estes índios assassinados são aqueles mesmos que aterrorizaram os
europeus com os seus costumes antropofágicos. Mas os europeus compravam deles
um óleo santo que na verdade era gordura extraída nestes rituais[18]; os mesmos europeus que
comiam em cerimônia religiosa o corpo de seu Deus[19]. Que sociedade será
justa? Não quero com isso justificar a nossa anomalia social, mas dizer que
nenhum povo no mundo está apto a dizer-nos o nosso defeito sem olhar para
dentro de si e encontrar as suas falhas, tal como Carlos Brunno detectava em A alma de nossas faltas.
Voltemos ao início do artigo.
Comentando a sua obra, Oscar Niemeyer afirmou: «Suor,
sangue e pobreza marcaram a história da América Latina tão desarticulada e
oprimida. Agora urge reajustá-la num monobloco intocável, capaz de fazê-la
independente e feliz». A estátua é um emblema deste continente colonizado brutalmente
e até hoje em luta por sua identidade e autonomia cultural, política e
sócio-econômica. A Mão em cuja palma vemos o mapa da América Latina como que em
sangue escorrendo pelo braço. Eis a Estação Mundo, da qual o Brasil faz parte.
Talvez, num destes tristes carnavais os brasileiros se lembrem que são
descendentes de estóicos índios e ao invés de hibernarem em suas casas diante
da televisão e de protestarem contra o final sem graça da novela, irão para as
urnas com a mesma goela que vimos nessa onda de protestos que assistimos nos
meados desse ano. Assim quem sabe nessa Nossa estação tiraremos alguns porcos
dos chiqueiros e poremos lá porcos novos e privemos que alguns anjos sem asas
pularem do décimo-segundo andar, que criança-calçada se cubram com notícias-cobertores.
Nem que a sociedade continue a não compreender as prostitutas e poetas, ao
menos a agulha do palheiro se sentirá acompanhada de novas agulhas e as
estátuas dos loucos e mártires, ditadores e sonhadores se pareçam mais conosco
e menos com os deuses. O trem chegou na Estação, é hora de partir.
BIBLIOGRAFIA
CITADA
BARBOSA, Carlos Brunno S., O Último adeus (ou o primeiro pra sempre), Valença, Barra do Piraí,
Piraí, Volta Redonda, G. Duboc, 2004.
BÍBLIA, Português, Bíblia
Sagrada, Trad. Missionários Capuchinos, 2ª Ed., Lisboa, Fátima, Difusora
Bíblica, 1966.
BRANDÃO, Ambrosio Fernandes, Diálogos das grandezas do Brasil, segundo a edição da Academia
Brasileira, corrigida e aumentada, com númerosas notas de Rodolfo Garcia, e
int. de Jaime Cortesão, Rio de Janeiro, Dois Mundos, 1943.
BREMMER, Jan, «Scapegoat Rituals in Ancient Greece», Harvard Studies in Classical Philology 87
(1983) 299-320.
BRUNET, Manon, «Pour une esthétique de la production de
la réception», Études françaises 3,
vol. 19, (1983), 65-82.
CAMINHA, Pêro Vaz de Caminha, A carta de Pero Vaz de Caminha, Org. Jaime Cortesão, Rio de
Janeiro, Livros de Portugal, 1943.
CUNHA, Euclydes da, Os
Sertões, Lisboa, Livros do Brasil, 2000.
DIAS, Antônio Gonçalves, Poesia e Prosa Completas, Org. Alexei Bueno, Rio de Janeiro, Nova
Aguillar, 1998.
FRYE, Northrop, Anatomy
of cristicism: four essays, London, Oxford University Press, 1957.
GRIZOSTE, Weberson Fernandes, «O Pharmakós: a questão do
sacrifício voluntário em Eurípedes», KOIKE, K., GRIZOSTE, W. F., Estudos de Hermenêutica e Antiguidade
Clássica, Coimbra, Ed. Autores, 2013, 71-96 (a).
__, Os Timbiras: os paradoxos antiépidos da Ilíada Brasileira, Coimbra, Faculdade de Letras
da Universidade de Coimbra, 2013. (Tese
Policop.), (b).
JAUSS, Hans Robert, Pour
une esthétique de la réception, Trad. Claude Mallard, Paris, Gallimard, 1978.
__, et alii, A
literatura e o leito: textos de estética da recepção, Rio de Janeiro, Paz e
Terra, 1979, 43-82.
LÉRY, Jean de, Viagem
à terra do Brasil, Trad. e notas de Sérgio Milliet, São Paulo, Livraria
Martins, 1941.
LIBRANDI, Marília, «Maranhão – Manhattan: uma ponte entre
nós» Revista Eutomia 2 (2008)
130-161.
REGO, José Lins do Rego, Eurídice, Lisboa, Livros do Brasil, (?).
RIBEIRO, Darcy, O
povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil, São Paulo, Companhia das
Letras, 1995.
VANDRÉ, Geraldo (Geraldo Pedroso de Araújo Dias); BARROS,
Théo de, Disparada, 1966, http://letras.mus.br/geraldo-vandre/46166/,
Consultado em 16/08/2013.
VANDRÉ, Geraldo (Geraldo Pedroso de Araújo Dias),
Pra não dizer que não falei de flores,
1968, http://letras.mus.br/geraldo-vandre/46168/,
Consultado em 16/08/2013.
[1] Possui Licenciatura Plena em
Letras pela Universidade do Estado de Mato Grosso (2006), é Mestre em Poética e
Hermenêutica pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (2009) e
Doutorando em Poética e Hermenêutica na mesma UniversidaDE, cuja defesa da tese de
doutorado está marcada para 3 de Janeiro de 2013. É Membro do Centro de Estudos
Clássicos e Humanísticos de Coimbra desde 2008, Possuiu uma Bolsa de Doutorado
financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia de Portugal que se
encerrou em Dezembro de 2013. Autor de quatro obras e diversos artigos
publicados inclusive no exterior (Argentina e Dinamarca), as obras são: A dimensão antiépica de Virgílio e o
Indianismo de Gonçalves Dias, Coimbra, CECH, 2011; Carrapicho, São Paulo, Ixtlan, 2011; Estudos de Hermenêutica e Antiguidade Clássica, Coimbra, Ed. de
Autores (2013), este último em parceria com Katsuzo Koike; Jaracatiá, São Paulo, Ixlan, 2013.
[2] As seis estações são: Estação
de embarque (A Estação Inicial); Estação Mundo (Nossa estação); Estação Tu (Tua
estação); Estação Eu (Minha estação); Estação Amores (Estação desencontrada); Estação
Eternidade (A Estação Final).
[3] Cunha, 2000,
86.
[4] Cunha, 2000,
86.
[5] Cunha, 2000,
86-87.
[6] Levítico 11:7; Deuteronômio
14:8.
[7] Dias, 1998,
755-756. Med. 3.12.
[8] Dias, 1998,
743. Med. 3.2.10.
[9] Dias, 1998,
755. Med. 3.12.7-8.
[10] Librandi,
2003, 130.
[11] Librandi,
2008, 145.
[12] Ribeiro, 1995, 120.
[13] Dias, 1998,
756. Med. 3. 12. 11.
[14] Jauss, 1978, 38; Brunet, 1983,
73.
[15] Frye, 1957,
41-42. Objeto citado em Grizoste,
2013, 73-77 (a).
[16] Levítico 16:21-22. Objeto
citado em Grizoste, 2013, 72 (a).
[17] Caminha, 1948, 205; Brandão, 1943, 94-128.
[18]
Jean de Léry Apud Sáez, 2007, 11 ; Objeto Citado em Grizoste, 2013, 61-62 (b).
[19] Sáez, 2007, 12.